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Making a Murderer: o fascínio do crime

And it is in the humble opinion of this narrator that this is not just “Something That Happened.” This cannot be “One of Those Things... “ This, please, cannot be that. And for what I would like to say, I can’t. This Was Not Just A Matter Of Chance. Ohhhh. These strange things happen all the time.
— Narrador, Magnólia de Paul Thomas Anderson

Neste arranque de ano voltamos a ter um fenómeno narrativo de true crime: Making a Murderer é uma série documental da Netflix que conta em dez episódios a história, tão inacreditável que não podia ser ficção, de Steven Avery, cidadão norte-americano absolvido de um crime que não cometeu após 18 anos na prisão que, depois de ser ilibado voltou a ser preso por homicídio.

The Jinx, série da HBO, e Serial, o podcast de sucesso mundial, são dois exemplos recentes que demonstram a popularidade de narrativas sobre crimes, criminosos, vítimas, inocentes e culpados. A natureza documental destes projectos ultrapassa o registo jornalístico e torna o espectador/ouvinte num participante da história envolvendo-o nos acontecimentos, obrigando-o a reflexões e tomadas de posição no sentido da descoberta da verdade e de um desfecho satisfatório.

Esta demanda, depois de nela embarcarmos, torna-se vital pois é invariavelmente um estudo sobre a natureza elusiva e a permeabilidade da verdade e, dado o aturado trabalho de investigação demonstrado nestes trabalhos, somos confrontados com o nosso instinto de julgamento imediato face aos nossos próprios constrangimentos e à superficialidade dos tratamentos noticiosos e interacções das chamadas redes sociais no dia-a-dia.

 
 

Há um debate muito interessante a ter sobre a responsabilidade de uma série como Making a Murderer no sentido que expõe um caso complexo, e os seus intervenientes, a milhares, senão milhões, de pessoas que serão influenciadas pelas opções e pontos de vista dos autores. Sabemos que filmes como A Verdade Contra Tudo, de Errol Morris ou mesmo o podcast Serial viram os casos que abordavam serem revistos e, no caso de Morris, consegui-se mesmo a ilibação e libertação de um homem inocente.

Possivelmente nunca saberemos a verdade sobre o caso de Steven Avery. Vou a meio da série e, independentemente do desfecho, sei que a gravidade dos comportamentos das forças de autoridade em quem um cidadão comum deveria confiar é razão suficiente para a existência deste documento. E aqui reside o fascínio de Making a Murderer: a natureza humana é bizarra demais para ser fruto de uma criação de ficção.

Bem vindos à boa vida: High Rise

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